segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Pecado constelado

N’alvura desse rosto constelado,
Um esplendor: simpático sorriso.
Rapidamente, sem qualquer aviso,
Ao desejo infernal fui arrebatado.

Por ti já desisti do Paraíso.
De bom grado, entreguei-me ao pecado,
Ao proibido, êxtase demasiado
Impuro, causador de prejuízo.

Dor-amor impossível, visceral!
Fatalismo daquilo que é dual,
E que aquele hífen tênue não separa.

Perdido neste mal metalinguístico
D’um poema de amor tão casuístico:
Antes do último verso eu já pecara.

V.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

Lira em Ré Maior

És Sol, estrela-mor que me ilumina.
Vou-me elipticamente ao teu redor
Na órbita em escala Ré Maior
Da lira astral que nunca desafina!

O teu brilho áureo, dom de Melquior,
Nesta música cósmica e divina,
Tal qual o efeito da psilocibina,
Dá cheiro à melodia que sei de cor!

O arrepio n'alma, lépida batida
De uma canção purpúrea e proibida
Que une nossas moléculas ridículas;

Gravitacionalmente conectados
E espiritualmente emaranhados
Na rapsódia dual de ondas-partículas.

V.