Já fui vida. Agora não sou mais.
Ornamentava o mundo com as flores
De pétalas sedosas, multicores,
Que em mim nasciam em belos fractais.
Ornamentava o mundo com as flores
De pétalas sedosas, multicores,
Que em mim nasciam em belos fractais.
Já fui vida. Agora não sou mais.
Sou apenas uma folha de papel
Em branco, ainda virgem de pincel,
Com saudades dos meus padrões florais.
Antes eu tinha cores e sabores,
Agora, sou apenas celulose
Processada, prensada e em psicose,
Retroalimentando as minhas dores.
Sigo esperando na gaveta escura,
Longe de qualquer raio quente de Sol,
E tentando encontrar neste crisol
Uma saída para esta tortura.
Onde estão minhas flores? Meus sabores?
E o formoso Sol que me alimentava?
O Sol que as minhas folhas esquentava
E que dava ao meu corpo várias cores.
Já fui vida. Agora estou vazia.
Fui esvaziada de significados.
Danada folha em branco nos dois lados
Que anseia viver outra vez um dia.
Darias tu um fim à minha agonia?
Põe aqui neste papel novas flores,
Preenche com amores e sabores,
Troca todo o vazio por Poesia.
V.
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