sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Heresia feérica

Fruto proibido da minha Poesia,
Arco-íris de cores impossíveis.
Divinos são os teus toques combustíveis:
Ardamos, pois, ó Fada, em heresia.

Ópera sacra, erótica agonia!
Melífluos movimentos mais que incríveis
Instigam-me prazeres indizíveis.
Nefelibata, rejo a melodia.

Hésperides em júbilo dançantes
Animam nosso encontro, dois amantes
Ferozes, inflamados e faunescos!

Ardamos, pois, em flama própria, ó Fada,
Diabolicamente consagrada
Aos apetites mais canibalescos.

V.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Au revoir

Hoje bateu-me uma tristeza sem par.
Pegarei a próxima saída,
não participarei mais da tua vida.
Au revoir.

Tu não precisas de alguém para rimar
versos sobre uma realidade dolorida.
A minha mente iludida
não te colocará mais num altar.

Minha poesia acabou.
Isto era pra ser um soneto,
mas morre aqui, ainda no primeiro terceto.

V.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Pecado constelado

N’alvura desse rosto constelado,
Um esplendor: simpático sorriso.
Rapidamente, sem qualquer aviso,
Ao desejo infernal fui arrebatado.

Por ti já desisti do Paraíso.
De bom grado, entreguei-me ao pecado,
Ao proibido, êxtase demasiado
Impuro, causador de prejuízo.

Dor-amor impossível, visceral!
Fatalismo daquilo que é dual,
E que aquele hífen tênue não separa.

Perdido neste mal metalinguístico
D’um poema de amor tão casuístico:
Antes do último verso eu já pecara.

V.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

Lira em Ré Maior

És Sol, estrela-mor que me ilumina.
Vou-me elipticamente ao teu redor
Na órbita em escala Ré Maior
Da lira astral que nunca desafina!

O teu brilho áureo, dom de Melquior,
Nesta música cósmica e divina,
Tal qual o efeito da psilocibina,
Dá cheiro à melodia que sei de cor!

O arrepio n'alma, lépida batida
De uma canção purpúrea e proibida
Que une nossas moléculas ridículas;

Gravitacionalmente conectados
E espiritualmente emaranhados
Na rapsódia dual de ondas-partículas.

V.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Canibalismo

Beija-me outra vez, e outra, e mais!
E outras mais! Beija-me um beijo infinito.
Um beijo furta-cor, sagrado rito
De amor e de fulgor celestiais.

Beija-me com desejos canibais!
Dá-me mordidas num rito maldito,
Entre gritos de arpejo erudito,
Presentes dos teus lábios imortais.

E transcenda e ascenda, e então, acenda!
O beijo em labareda de oferenda
Que transubstanciará nosso calor.

Beija-me agora, como ontem beijaste.
Com furor e violência maltrataste
Meus lábios com prazer e muito amor.

V.

sábado, 20 de dezembro de 2025

Caça ao tesouro

Procuro-te nos meus sonhos a fio,
Correndo entre as Antusas, ofegante,
No jardim do meu sonho hesitante
De amor cortante como vento frio.

No sonho, ouço o alaúde e o assobio
De quem observa estático e distante
A inevitável queda fulminante
Numa paixão em profundo desvario.

Co'a bênção de bailantes Ninfas-flores,
Marchando heroico ao som dos trovadores,
Carrego-te comigo na memória.

Passo a passo, mais um passo insensato,
Fiz-te meu grão tesouro, doce Erato:
O x marcado nesta viagem flórea.

V.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

Apoteose

Eu quero escrever meus versos em ti;
Teu corpo será meu tomo sagrado.
Sigo completamente hipnotizado
Em direção a um forte frenesi.

Considero-me bem-afortunado
Pois te amei e o teu amor eu conheci.
À tua divina luz não resisti,
Fui apoteoticamente arrebatado.

Apaixonei-me ali, perdidamente,
Na tua propriedade iridescente:
Uma aura faiscante e esplendorosa.

Arco-íris que me guia ao pote d’ouro,
Confiarei na tua Vênus em Touro
Escandalosamente carinhosa.

V.