terça-feira, 3 de março de 2026

Esta noite eu sonhei co'a minha morte,
Um sonho com pitada de esperança.
O Ceifador com sede de matança
Livrava-me da dor num limpo corte.

E a foice e a Morte e o fim como uma dança:
Degola sem a bênção de Mavorte.
Culpava uma cruel falta de sorte
Por um fim em tamanha temperança.

Senti, então, que o remorso e a minha dor
Tornavam-me este poço de rancor
Cujo auto-ódio é a única paixão.

Acordei enfurecido pois sabia
Que nesta vida eu não mereceria
A paz deste infeliz sonho malsão.

V.

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