quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Minha estética

As minhas rimas são monocromáticas
e soam pálidas como a voz de um tísico.
A rima como impulso metafísico
no meio das estrofes problemáticas.

Minhas sílabas tônicas asmáticas
evanescem no “espelho meu” narcísico.
O reflexo daquilo que era físico,
enterrado, jaz em rimas pragmáticas.

Os meus extravagantes versos sombrios
abrilhantam os poemas doentios
do horror pessoal próprio deste Eu-Fera.

Meus textos escancaram os meus traumas
e guiam-me até o vil barco das almas,
o destino implacável que me espera.

V.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Au revoir

Tenho sentido uma tristeza sem par.
Pegarei a próxima saída,
não participarei mais da tua vida.
Au revoir.

Agora, eu seria capaz apenas de rimar
versos sobre uma realidade dolorida.
A minha mente iludida
não conseguiria te exaltar.

Isto era pra ser um soneto,
mas, ainda no primeiro terceto,
acabou.

V.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Heresia feérica

Fruto proibido da minha Poesia,
Arco-íris de cores impossíveis.
Divinos são os teus toques combustíveis:
Ardamos, pois, ó Fada, em heresia.

Ópera sacra, erótica agonia!
Melífluos movimentos mais que incríveis
Instigam-me prazeres indizíveis.
Nefelibata, rejo a melodia.

Hésperides em júbilo dançantes
Animam nosso encontro, dois amantes
Ferozes, inflamados e faunescos!

Ardamos, pois, em flama própria, ó Fada,
Diabolicamente consagrada
Aos apetites mais canibalescos.

V.