sexta-feira, 28 de novembro de 2025

Fuga fugaz

Dê-me apenas remédios, companheiro.
Sem julgamentos, e menos conversa.
Esqueça a causa! Tenho muita pressa.
Quem vive devagar morre ligeiro.

Tenho pena de quem se vai primeiro:
O Eu-lírico que nos versos tropeça. 
Eu rezarei antes que ele se despeça
Ao lado daquele Último Barqueiro.

Espero que ele encontre redenção.
A sua Descida não será em vão!
Ele verá que a vida é cheia de amor.

Já eu, bem, continuarei na boemia,
À base de remédios, noite e dia,
Para não confrontar o meu horror.

V.

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